terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dia dos Namorados - O Circuito do Amor

Esconderijos para se viver o amor intensamente


Haverá zona da cidade de Lisboa que guarde nas suas memórias tantas histórias de amor, e pecado, encontros e desencontros? Aceite a nossa sugestão e passe o Dia dos Namorados, na Pensão Amor, no Cais do Sodré. Apresentamos ainda um circuito alternativo, para desfrutar nas primeiras horas do dia, ao acordar...
Sandra Pinto (texto) e José Caria (fotos)



Esconderijos para se viver o amor intensamente.
Há muitos anos, o bairro do Cais do Sodré servia de "porto de abrigo" a muitos marinheiros que aqui chegavam de todo o mundo, em grandes navios, à procura de mantimentos e diversão.



Mas nem sempre terá sido essa a principal fonte de rendimento desta zona.



Por este edifício pombalino, construído na época pós-terramoto, inicialmente para habitação, passaram vários tipos de "inquilinos". É, porém, com a chegada dos milhares de homens fardados que se gera uma nova dinâmica e consequente má conotação. Para satisfazer as necessidades dos embarcadiços, abriram-se lojas, restaurantes e também os bares, a maioria com os nomes dos portos dos locais de origem de onde chegavam os barcos: Jamaica, Tóquio e Roterdão. Com esta gente, "sedenta" de diversão, chega também a prostituição e com ela a necessidade de arranjar alojamentos.



Por isso, uma série de edifícios foram transformados em "pensões de alta rotação", de aluguer à hora, que serviam para este tipo de práticas. Até que um dia os navios deixarem de vir e os marinheiros procuraram outros destinos, deixando o Cais do Sodré "perdido" e abandonado...



A esta "má sorte" seguiram-se outros capítulos, todos povoados por novas "personagens". A Pensão Amor é um bom exemplo da história atual do Cais do Sodré.





Entrada da Pensão Amor pela Rua Nova do Carvalho


Entrada da Pensão Amor pela Rua Nova do Carvalho
Entrada da Pensão Amor pela Rua Nova do Carvalho


"Não alugamos quartos para dormir"
Se os apaixonados estão à espera de passar aqui toda a noite, desenganem-se. Podem sim, passar uma boa parte dela, aproveitando para se divertirem e descobrirem os diversos espaços que compõem a Pensão Amor. Mas quando chegar a hora de dormir, aceite a sugestão de José Carlos Queirós Carvalho, 46 anos, administrador da empresa Mainside Investiments (VER CAIXA) e reserve quarto no hotel vizinho. Agora que está esclarecido, vamos contar-lhe o que aqui se passa.



"Pegar num edifício que tem uma história, uma vida e um passado e dar-lhe um uso diferente" foi um dos principais objetivos da empresa Mainside Investiments, responsável pelo projeto



da Pensão Amor. Por isso, diz-nos José Carlos, "quando comprámos o edifício há um ano e tal, foi necessário beber o que ele tinha, respeitando toda a sua história, mas adaptando-o a um uso diferente", acrescenta. Manteve-se a mesma atividade de pensão, alugando os quartos, desta vez não a marinheiros e prostitutas, mas a outro tipo de clientes. Este engenheiro clarifica: "A ideia foi selecionar pessoas engraçadas e pô-los numa espécie de caldeirão todas a fervilhar umas com as outras". Qualquer pessoa pode alugar estes quartos? A resposta parece óbvia: "Não alugamos quartos para dormir, nem para empresas, mas sim para projetos ou para pessoas extraordinárias, que os transformam em gabinetes de trabalho." Como em qualquer outro hotel, pousada ou hostel, foi necessário criar áreas comuns, de conforto e de partilha, que esta terça-feira, dia 14, "recebem" uma programação especial para os casais apaixonados. Assim, pelas janelas da pensão vão chover corações que convidam, a quem os receber, a fazer uma declaração de amor (a partir das 23 horas). Na sobreloja Clandestino será apresentado o espetáculo Mironescópio: a Máquina do Amor, pelo Teatro das Marionetas (às 19 e às 21 horas). Se escolher entrar pela Rua do Alecrim, número 19, fica logo a conhecer o bar que surpreende com uma decoração burlesca, animado nesta noite por um dueto musical (das 13 às 3 horas da madrugada).


O Circuito do Amor



















Para os mais destemidos, aconselhamos uma paragem na sala do varão e a participação nas demonstrações de dança sensual (entre as 18 e as 22 horas). Uns passos à frente encontra-se a loja erótica Purple Rose, que vai marcar presença no lançamento do segundo número da rapsódia erótica A contorcionista, Calendário, com a oferta de preservativos.


Estas são algumas das atividades "amorosas" marcadas para este dia...



As outras ficam ao seu "critério".



Perder-se por Lisboa
José Carlos Queirós Carvalho, 46 anos, administrador da empresa Mainside Investiments, um dos responsáveis pela implementação do Projeto Pensão Amor, sugere um roteiro para o Dia dos Namorados



1. Iniciar o dia ao ar livre, num dos mais belos jardins de Lisboa, a Tapada das Necessidades, um espaço por explorar, com as suas vistas para o rio Tejo.


O Circuito do Amor














2. Descer até Alcântara, para um passeio e visita ao espaço da Lx Factory, almoçando num dos seus restaurantes e aproveitando para beber um café na Livraria Ler Devagar, eleita recentemente como uma das 20 mais belas livrarias do Mundo (pelo site Flavorwire).


O Circuito do Amor













3. Em seguida, uma visita ao bairro do Cais do Sodré que pode começar por um lanche ajantarado saudável no Sol e Pesca (uma antiga loja de conservas transformada em bar), onde pode provar as melhores conservas portuguesas.

O Circuito do Amor














4. Depois uma subida e visita à Pensão Amor que vai ter um conjunto de atividades pensadas especialmente para o Dia dos Namorados


O Circuito do Amor













5. Por fim, marque reserva no vizinho hotel Lx Boutique Hotel (antigo Hotel de Bragança, localizado na R. do Alecrim, 12 T. 21 347 4394), com cada um dos seus pisos, dedicado a tema diferente: Tejo, Fernando Pessoa, Fado, Sete Colinas e Bairro Alto. Foi também aqui que Ricardo Reis, terá ficado alojado conforme aparece referenciado na obra de José Saramago O ano da morte de Ricardo Reis.

O Circuito do Amor














OUTROS ESPAÇOS PARA AMAR
Piso 1: Ler devagar com Amor, com obras para comprar e alugar de literatura erótica também se encontra em funcionamento.



Quarto 204: Mãos à Dobra, ajuda-o a fazer uma flor em origami para oferecer à sua cara--metade. Das 18 às 23 horas



Corredor do Piso 3: Amélie au Theatre em parceria com LeMiroIr, apresenta dicas de aconselhamento e imagem e open showroom de peças de roupa e acessórios (das 18 às 23 horas).



Quarto 302: Dress-a-Day: open showroom, com desconto de 30% de desconto em artigos selecionados. Oferta de rebuçados em forma de coração da marca Papabubble. Das 18 às 23 horas.



Quarto 303: Queer Lisboa: Lançamento da revista Little Joe (número 3) e venda do Vaso Coração de O Meu Amor é Verde (pelas 19 horas).



Quarto 305: Smart Lunch: Campanha Be a Smart Lover (Smart Box). Das 18 às 23 horas



Quarto 306: Transversal Editores: Concurso de frases ou textos sobre a temática Medo & Amor. Das 18 às 23 horas.



Quarto 309: Lifestories: Revelação de três histórias de amor de pessoas do bairro do Cais do Sodré (exposição). Das 18 às 23 horas



Quarto 312: Homem-Bala: Lançamento de teaser de divulgação dos hóspedes da Pensão Amor (Projeção vídeo)



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

No Escurinho do Cinema: porno e masturbação

Boas surpresas no Centro de Cultura e Intervenção Feminista
A não perder uma palavra, uma imagem, nem os calafrios que se vão sentir.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Para quê disfarçar


Todas as noites antes de entrar em palco tomava os comprimidos. Sentava-se no banquinho pequeno, abria as caixas, primeiro a cor de rosa, depois a amarela, e depois mais três sem cores definidas, e um a um colocava-os na língua. Antes de beber a água que tinha no copo olhava-se no espelho e sorria. Mais uma noite.

Quando colocava a coroa sobre os cabelos já sentia o efeito relaxante do que tinha tomado. A tensão nos braçosdiminuia, depois os ombros e em seguida todo o corpo ficava preparado.

Apenas os olhos não sabiam disfarçar. E ela sabia que os olhos a podiam trair. Porque os olhos viam e as imagens que lhe chegavam ao cérebro eram ampliadas e distorcidas. Os rostos dos homens babando-se eram-lhe repugnantes, principalmente os de bigode. Eos olhos viam. Era por isso que em certos momentos agitava tanto a cabeça que os cabelos lhe cobriama cara e lhe impediam a visão. Nessa altura voltava a sorrir. Pensariam talvez que aquilo era um gesto erótico. Era apenas a maneira de se proteger da agrssão das imagens que lhe chegavam ao cérebro.

Por que os seus olhos viam e não sabiam disfarçar.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Uma imagem de mulher

São dunas de areia fina. Redondas, suaves.

Duas montanhas parecem unir-se, mas são separadas por um vale profundo onde raramente o sol penetra.

Subindo pode ver-se uma curva brilhante onde a areia toma mesmo a cor do ouro. Em cima, uma das montanhas visíveis adquire a forma prfeita. No seu cume ergue-se provocante e desafiando a curiosidade quanto à textura, um pico erecto que estimula o desejo irreflectido de não desviar o olhar.

Por trás das dunas visíveis adivinham-se outros segredos, outros contornos dourados ainda inexplorados.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Novo Curso de Escrita Erótica

Na Escrever escrever não se tira férias - escrevem-se postais de prazer e luxúria...entre sestas.

De 05-08-2011 a 26-08-2011

Horário:

Sextas

Dias 5, 12, 19, 26 de Agosto

Das 10h30 às 13h

Mais informações AQUI

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ponto Q

Recomenda-se a crónica televisiva Ponto Q, no canal do MEP Q (posição 15).

Ver aqui Susana Romana e seguir as novas tendências da pornografia: dá prazer e ainda nos rimos!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Novos Cursos de Escrita Erótica quase a chegar!

Quase a chegar, com a Primavera, o calor e o sol, novos cursos de escrita erótica.

Informe-se Aqui

terça-feira, 5 de abril de 2011

Projecto Teia - Ciclo sobre Amor e Sexualidade


CICLO SOBRE AMOR E SEXUALIDADE
SALÃO NOBRE

Numa selecção que tem como tema o Amor e a Sexualidade que lhe está inerente, escritores portugueses, escolhem entre poemas, contos e prosa de toda a Literatura, as palavras que nos falam do desejo, de sensibilidades e de histórias que expressam diferentes maneiras de viver a manifestação dos afectos no nosso corpo e na relação com o outro e com o corpo do outro. Actores profissionais darão expressão às palavras.

público em geral | entrada livre | duração 1h30 aproximadamente

Incesto

12 Abr | 19h

selecção de textos Luís Carlos Patraquim
coordenação da leitura Catarina Lacerda
intérpretes a convite do Teatro do Frio


Ver Aqui

sábado, 2 de abril de 2011

Escrever à Conversa

Escrever à Conversa

Encontros informais e de entrada livre que acontecem ocasionalmente, aos sábados, tendo em vista a discusão de temas ligados ao universo da escrita.

Um espaço para ouvir, falar, debater, ver vídeos e tirar dúvidas, marcado pela proximidade e boa disposição.

Não sendo necessário confirmar ou reservar presença, é importante que os participantes cheguem à Escola pontualmente para garantir o seu lugar.

Escrever à Conversa:

Data: 2 de Abril

Tema: O Sexo e a Língua Portuguesa: como vai a relação?

Orientador: Joana Almeida (formadora de Escrita Erótica na Escrever Escrever)

Convidadas: Raquel Freire (realizadora) e Susana Romana (autora e formadora na Escrever Escrever)


domingo, 6 de março de 2011

Francisco, 34 anos, Transexual não operado

Amada Lepor fotografada por David La Chapelle

A seguir a um dia cansativo no banco, Francisco passou pela casa de Miguel – o seu consorte – para o ir buscar. Iam ambos para o seu apartamento modesto, mas a viagem nunca se concluiu.
Miguel despediu-se da sua mulher, afirmando dirigir-se ao bar com o seu melhor amigo. Esta era uma verdade que a pobre mulher nunca chegaria a imaginar.
A viagem começou mal: Miguel trazia consigo o persa vermelho de um outro amigo, para o irem entregar depois do seu “momento” a dois.
“O que é isso, homem?! Tira-me isso do carro, que o meu nariz cresce que nem uma batata!”
“Cala-te e conduz”, dizia o amante, sabendo que Francisco odiava conduzir.
Depois de uma discussão acesa, Miguel ligou o rádio e ambos prosseguiram a sua viagem. Ocorrera, no entanto, uma fatalidade que Miguel descuidara ao deixar Francisco conduzir: este excitava-se ao som do “Rapper” Eminem!
Incapaz de conduzir devido ao tremendo calor que escorria pela sua – ainda existente – vagina, Francisco viu-se forçado a encostar o Fiat Punto na berma.
“Miguel, faz-me um minete...!” – exclamou com excitação na voz, como se implorasse...
“Aqui, Francisco?! Com o gato a ver?!”
“Sim, Miguel... vá lá...”
E lá começaram, antes do previsto: Francisco prontamente arrancou as suas calças do corpo e Miguel “enfiou-lhe” os dedos que tinha disponíveis, de seguida a língua e tudo o que podia “enfiar”, num frenesim badalhoco que, no fim, dava prazer a ambos. Rapidamente os dois homens moveram-se para o banco de trás.
Miguel abusava da vagina de Francisco e este, aproveitando um brinquedo que guardava religiosamente no porta-luvas, penetrava Miguel. Ambos gemiam num mar de suor masculino, com as pilas - a verdadeira e a falsa - já molhadas e coladas ao corpo - ambos rumo ao auge.
“Asfixia-me”, Implorou Francisco
“Com o quê?!”, perguntou Miguel, que não podia usar as mãos – deixaria marcas. Ambos olharam com um sorriso semi-maquiavélico, semi-perverso para o gato do amigo que apenas se limitou a miar.
Miguel segurou o bichano e “enfiou-o” na cara de Francisco, enquanto penetrava a sua vagina.
Finalmente, ambos os homens chegaram ao orgasmo: Miguel veio-se triunfantemente e Francisco encontrava-se desorientado no meio de um extâse incrível – Missão cumprida: só faltava o tareco que, agora excitado, rapidamente fez o serviço na perna do transsexual. Francisco não precisaria de comprimidos para dormir à noite...

sexta-feira, 4 de março de 2011

O colar de pérolas

Aquele dia era igual aos outros. Todos os dias a via passar, ora para um lado, ora para o outro, com o seu ar profissional e inabalável onde nada falhava.

Aquele dia não foi excepção. Lá passou ela, com o seu vestido justo, sóbrio e sério mas que deixava ou ver ou imaginar todos os contornos do seu corpo. E que contornos de perder a concentração! O decote no ponto certo, as meias de vidro e o colar de pérolas vermelho que, por distracção, ou quem sabe, de propósito, lhe entrava naquele declive por dentro do vestido. Mas porque faria ela aquilo?! Ficava louco! Só lhe apetecia levantar-se, correr atrás dela e tirar-lhe, não o colar de dentro do vestido mas o vestido de fora do colar.

Transpirava cada vez que ela passava. E só voltando a esconder os olhos por dentro dos óculos e focando perto em vez de focar a meia distância começava a sentir o seu corpo arrefecer e desdivagar no corpo daquela mulher escultural.

A safada sabia. Espreitava-lhe o olhar desorientado cada vez que passava. Media milimetricamente o desencontro dos seus olhares. Olhava-o apenas quando ele desistia e voltava a pousar o seu olhar naquele ecrã monocórdico e monocromático. E ele não sabia. Não sabia que, na realidade ela passava ali sempre de propósito. Sabia-lhe bem sentir aquele olhar roçar-se nela. Gostava de pensar que um dia se encontrariam fora dali e que, um dia, quem sabe, se despiriam sem só com o olhar…

quinta-feira, 3 de março de 2011

Cinema Paraíso

Um beijo. Dois beijos.

Um beijo são mil coisas.

Dois beijos

São duas mil coisas

Ou então não são nada

Ou são apenas

Um beijo e outro beijo.

Um abraço.

Um abraço

Pode ser um xi-coração

Pode ser muito

Pouco ou nada

Quase sempre um gosto de ti.

Um abraço e um beijo

Podem ser cem mil coisas

Ou então sem mil coisas.

Pode ser ou não ser

Ser tudo ou não ser nada.

Dormir.

Pode ser um sono

Pode ser um sonho

Ou uma insónia

Ou um pesadelo.

Beijaste-me.

Abraçaste-me.

Dormiste comigo.

Dormiste em mim.

E o que é?

O que foi afinal?

Não faço ideia!

Mas foi assim!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Asdrubal

O circo de Asdrúbal chegara nessa noite àquela pequena vila piscatória. O espectáculo era só amanhã mas começava já hoje. Enquanto se montavam tendas e barracas, Asdrúbal já pensava noutras montarias.

Guiado pelos cheiros e pelos ruídos surdos ou talvez simplesmente pelo seu talento em descobrir rabo de saia, lá foi parar ao que seria o bar mais in lá da zona.

Entrou com ar de rei na barriga, que é como diz com ar de “Querida, cheguei!!!”, dirigiu-se ao balcão e rodou os olhos pela sala. Pediu um whisky velho e, com ele na mão direita e mão esquerda no bolso, foi ter com a louraça lá do canto que fumava um cigarro no canto da boca.

Fez ar de pintas, franziu um sobrolho e espremeu uma espécie de sorriso por meia boca fora.

Ela leu-lhe a figura, o desejo e o tamanho do amontoado ali na zona da braguilha. “30 minutos, 50 euros”, disse-lhe. “É o preço de época baixa, estamos em saldos”.

Como quem cala consente e apenas silêncio se ouviu da boca de Asdrúbal, a louraça levantou‑se, entrou no corredor e ele seguiu-lhe a silhueta.

A porta trancou-se e destrancou-se a fera. O leão eriçou-se e soltou o cabelo, empurrou a louraça para cima da cama e atirou-se-lhe como se sobre a sua presa se lançasse. Já desceu as calças e de um só lanço lhe desprende os botões da blusa, lhe sobe a saia e lhe arranca as cuecas.

Afoga-lhe a cabeça no peito e sem dó nem piedade nem pingo de respeito ou meiguice enfia‑se-lhe desenfreada e desesperadamente. E numa cadência rápida e atabalhoada, uma busca atrapalhada de algo que desconhece mas não está ali.

Já está, já explodiu. Mas Asbrúbal só sente o vazio…

É que Asdrúbal é trapezista… mas ele queria mesmo era ser domador de leões…

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Maria Teresa Horta


Podem as mulheres falar e escrever da Sexualidade da Mulher?!
Não podiam, não deviam...já podem, já tentam, já o fazem, mas deixam-nos!?

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Escrever textos eróticos para oferecer no Dia dos Namorados

Descrição

Este curso é para os namorados, amantes e apaixonados. É para quem quer surpreender a sua cara metade com uma carta de amor, uma carta de erotismo que transpire palavras quentes de paixão.

Objectivos

  • Criar prendas eróticas
  • Escrever contos eróticos, cartas de amor, cartas de sexo.

A quem se destina

  • Maiores de 18 anos.
  • Todos os que tiverem curiosidade de explorar a sua sexualidade, por escrito.
  • Quem gosta de fantasiar sobre o corpo e as relações.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Fevereiro: Mês do Amor..ou do Sexo?!


Novos cursos este mês, bem no coração de Lisboa.
Às quintas-feiras (10, 17, 24 de Fevereiro e 3 de Março), das 19h30 às 22h.

Mais informação AQUI

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

1- metro - sexual precoce

Quando o sinal sonorose fez ouvir e a voz mecânica anunciou a estação naquela língua que me era estranha surgiu nono meu horizonte visual uma figura elegante. Primeiro de perfil, tinha acabado de se levantar e logo se virando suavemente mostrando o final das suas costas e do rabo. Uma forma que eu distinguia entre as demais naquela amontoada carruagem de metro preenchida com casacos, malas e guarda-chuvas desinteressantes. Ainda a observei a caminhar dois ou três calculados passos até desaparecer por detrás de uma gabardine negra. Naquele momento fugaz não lhe vira o rosto ou sequer a peculiaridade de qualquer traço singular e identificativo. Voltei a dirigir a minha atenção para o diagrama em língua inglesa que segurava nas mãos e percebi que deveria sair na próxima paragem, um nó de conexão da linha. Uma vez aí chegado a carruagem esvaziou-se de quase todas as pessoas e eu inevitavelemente tentava decifrar o cirílico em busca da direcção que buscava. Acabei por seguir por um lado sem ter a absoluta certeza e é ainda a arrumar atabalhoadamente os papéis e notas e mapas que ao virar a esquina reconheço ou penso reconhecer a silhueta que há pouco vira. Subia nas escadas rolantes e parecia-me pairar no ar. Na realidade poderia tratar-se de outra pessoa, eu não tinha como comprovar a sua identidade. No entanto a curiosidade espicaçava-me e decido subir as escadas a passo e tentar conquistar os traços distintivos do seu rosto. A dois degraus de distância, hesito, abrando a velocidade da passada e começo a olhar de soslaio vendo a maçã do rosto branca, emoldurada pelos cabelos um misto de loiro e ruivo. Os olhos pareceram-me cinzentos e quando me aproximava para me certificar receie cruzar o seu olhar e segui em frente. Tive a sensação de ela me observar agora a mim. Talvez por não ter sido suficientemente discreto ou pelo meu ar evidentemente estrangeiro. Virei-me para trás e o meu olhar foi magneticamente atraído para os olhos azul-cinza de forma amendoada que me fitavam desafiadoramente. Fiquei perplexo por uns momentos e a minha falta de reacção fez com que ela abrisse ainda mais o seu sorriso. Tinha conseguido o que queria naquele instante. Aquele encontro poderia até não ter passado dali mas algo precipitou o que se passou a seguir. De repente as luzes apagaram-se e apenas ficaram acesas as luzes das saídas de emergência. Senti uma mão a agarrar a minha e a puxar-me, vislumbrava apenas um vulto à minha frente. O toque daquela mão agradava-me. Era suave e nem posso dizer que me segurasse com muita força, mas eu ia, deixava-me ir. Entrámos por uma porta mesmo onde indicada uma saída de emergência ela rodou sobre si mesma e virou-se para mim mal entrámos.Enquanto lá fora já se começava a escutar o ruído das pessoas tacteando o caminho até à saída eu sentia os seus seios de encontro ao meu peito e o hálito quente da sua boca junto à minha. Instintivamente encostei as minhas costas com mais força à porta segurando ao mesmo tempo a sua cintura com firmeza. As minhas mãos pareciam moldar a sua cintura, os polegares na frente encaixados no vão do espaço logo abaixo da costela flutuante e os restantes dedos em volta das costas contornando os seus dorsais ginasticados. Puxei-a mais para mim sentindo o peso do seu corpo incidir ainda mais sobre o meu peito, na minha barriga, na cintura e nas coxas. Ela parecia querer colar-se a mim. Depois agarrou-se às minhas omoplatas beijando-em furiosamente, arfando, como se a sua língua buscasse também ela uma saída para todo o desejo se encerrava no seu corpo, nos seios, nas nádegas, nas virilhas, no seu sexo que eu já adivinhava húmido. As minhas começaram então a percorrer o seu corpo sofregamente, primeiro descendo, segurando-lhe ambas as nádegas e fazendo com que ela se levantasse e nunca me deixando de beijar , coma a cara à altura da minha, indireita-se o pescoço. Depois largando-a segurei-lhe nas mamas enquanto ela descendo as suas mãos me apalpou o rabo com força chegando-se ainda mais perto de mim. Nesse momento ela resolve levantar a perna e começar a roçá-la entre as minhas, primeiro suavemente mas à medida que se ia excitando cada vez aumentava mais o ritmo e a intensidade. Lá fora ouviam-se os sons de vozes abafadas e desconexas e a porta de ferro da saída de emergência a ser uma e outra vez forçada. A dada altura alguém mostrou-se mais persistência. Insistiu uma, duas, talvez três vezes, talvez mais, eu deixei de escutar. Já não aguentava o pénis erecto dentro das calças e a dor e prazer que a fricção da sua coxa me causava. Movi uma das minhas pernas para trás da que ela tinha no chão e fi-la deitar no chão do compartimento. Mal pousei as mãos no solo uma matéria viscosa e quente agarrou-se-me às mãos e um cheiro intenso invadiu-me as narinas. Os meus dois joelhos ficaram também húmidos e além do mais não tinham modo de se fixarem no solo. Sentia-a relaxar-se debaixo de mim, ria-se até e abriu os botões da camisa descobrindo os seios. De seguida os seus braços caíram para o lado afundando-se ligeiramente no que ao tacto parecia ser uma espécie de óleo se bem que o intenso odor não o confirmasse de modo evidente. Talvez sentindo a minha hesitação ela voltou a mover uma das suas pernas e deixando-me ainda mais desequilibrado fez-me cair ainda mais sobre ela. Sentia a sua pele macia e quente e o seu odor confundindo-se com aquele cheiro forte. Os meus lábios avidamente descobriam o sabor dos seus mamilos. Colei-os a um deles, o esquerdo, por ter sido sobre esse que caíria o meu rosto e por considerar ser este seio o maior dos dois quando minutos antes eu os havia apalpado. Com a língua desenhei roscas na pele eriçada do mamilo e misturava a minha saliva com o suor da sua pele. As mãos dela aproximaram-se de mim e começarama a habilidosamente e desenvecilharem-me das minhas calças e cuecas. Ao tentar ajudá-la perdi ainda mais os meus pontos de apoio e tendo escorregado ainda mais vejo-me deitado de lado humedecendo assim as minhas costas de lado. O tempo a partir daí parou, comigo a contemplá-la e ela estática.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

De Pernas abertas, mas quase a fechá-las!

Novo Curso na Escrever Escrever
8- 15- 22-29 de Novembro
Inscrições abertas, mas quase fechadas...venha descobrir-se connosco e viver o prazer na ponta dos dedos, no bico da caneta - na Escrita Erótica

Descubra muito mais na Escrever Escrever

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Projecto Teia - Ciclo sobre Amor e Sexualidade

SALÃO NOBRE do TEATRO D. MARIA

Numa selecção que tem como temas agregadores o Amor e a Sexualidade, escritores portugueses escolhem entre poemas, contos e prosa de toda a literatura, as palavras que nos falam do desejo, de sensibilidades e de histórias que expressam diferentes maneiras de viver a manifestação dos afectos no nosso corpo e na relação com o outro. Actores profissionais dão expressão às palavras.


público em geral | entrada livre | duração 1h30 aproximadamente

Transexualidade
12 Out | 19h | Salão Nobre

selecção de textos Filipa Melo
coordenação da leitura Romeu Costa

Amor Platónico
21 Dez | 19h | Salão Nobre

selecção de textos Nuno Júdice
coordenação da Leitura Carla Chambel

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Primeira Vez


Foi num entardecer de finais de Verão que tudo aconteceu.
Eu estava de férias em casa de uns primos.
No grupo daquele ano em particular, em que uns estavam a sair da adolescência e outros ainda plenamente mergulhados nela, encontrava-se também Bernardo, um amigo deles que viera do Norte e que eu não conhecia.
Bernardo era um rapaz grande, um nadador exímio e detentor de uma jovialidade contagiante. Tinha uns olhos verdes, límpidos e sorridentes, um cabelo castanho-cobre povoado de caracóis perfeitos, como se tivessem sido esculpidos e uma voz de tenor, vibrante, rica e melodiosa.
Bernardo ria e brincava com todos, excepto comigo. Sem deixar de ser cordial, tratava-me com um certo distanciamento. Eu ia pensando em inúmeras razões para esta realidade... pensei que se devia ao facto de eu ser um ou dois anos mais novo e de não estar ainda na faculdade... ou que tudo tinha a ver com a minha falta de destreza para os desportos em geral, aliada a uma crónica inibição verbal para a socialização imediata... ou possivelmente que se tratava da frieza a que já estava habituado por parte das outras pessoas devido à minha aparência andrógina
Como não conseguia alcançar uma resposta resignei-me a ficar mais uma vez na sombra de todo aquele convívio saudável, onde também entravam belas desconhecidas de cabelos longos e brilhantes e rapazes esculturais de olhar magnético. Contemplava-os à distância, lindos e sorridentes em fatos de banho coloridos e com toda a sensualidade insinuante e descuidada da juventude em pleno desabrochar.
No dia em que tudo aconteceu, lembro-me que estava sozinho, como habitualmente. Acho que todos tinham ido buscar o jantar a uma churrascaria e que iriam demorar um pouco. Todos, excepto Bernardo, que ficara na praia a conversar animadamente com uns turistas alemães.
Lembro-me ainda de estar dentro de água e da praia inundada pela luz dourada do sol, dos vultos ao longe, das ondas a embalarem-me o corpo suavemente e da sensação das pontas dos dedos dos pés tocando ao de leve a areia semeada de escolhos, ora polidos ora cheios de arestas acutilantes.
Depois havia florestas de algas que se insinuavam secretamente em manchas escuras e me enlaçavam suavemente. O temor inicial de ser arrastado por elas para o fundo do mar foi substituído por uma sensação de torpor. Era como um jogo de cabra cega em que centenas de dedos me tocavam inesperadamente na pele, povoando-a de reflexos inacabados e de apelos mudos e insondáveis. Senti o fato de banho a descair debaixo de água e retirei-o. Fechei os olhos e deixei-me envolver e acariciar.
A certa altura uma sensação de terror invadiu-me ao aperceber-me que o fato de banho me escapara das mãos. Já não havia muita gente na praia, mas como percorrer o areal até casa sem dar nas vistas? A distância não era longa mas parecia inalcançável com este contratempo. Nunca tinha estado sem roupa desta maneira.
Permaneci uns momentos voltado para a praia com a água pela cintura e acariciando os braços inconscientemente, sem saber o que fazer. Depois, num ímpeto irracional, saí da água e corri com toda a força em direcção a casa. Sentia a aragem fria petrificar-me a pele, os cabelos pesados e molhados a soltarem-se em lascas, os mamilos endurecidos e o sexo solto balouçando entre as pernas.
Felizmente, ao chegar, a porta estava aberta.
Entrei ofegante e parei por uns momentos a descansar. As venezianas estavam semi-cerradas e a luz da sala de entrada era diáfana, quente e macia como uma carícia secreta e apaziguadora.Vi de relance a minha imagem no espelho da entrada e por momentos não me reconheci na minha nudez. O meu corpo, que todos criticavam silenciosamente por não ser cem por cento masculino, exibia-se ali pleno, curvilíneo e sem equívocos. Pela primeira consegui amá-lo.
Subi as escadas rumo ao quarto. Primeiro a correr para me esconder. Depois voltei a descê-las e a subi-las, desta vez lentamente. A sensação do corpo liberto de roupas e das nádegas a roçarem uma na outra a cada degrau dava-me uma sensação de prazer que nunca sentira antes e queria prolongá-la enquanto pudesse, longe dos que estavam para vir e que poderiam chegar a qualquer momento.
Já no quarto peguei numa toalha e comecei a secar-me, perscrutando a praia pela janela, atrás das cortinas. Ao voltar-me vi um vulto à porta do quarto. Primeiro pensei, assustado, que se tratava de uma alucinação provocada pelo encadeamento da luz da janela. Depois percebi que Bernardo estava realmente ali, os calções de banho molhados e colados às pernas e o cabelo deitando pingos de água que caíam pelo corpo.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntou ele – Vi-te a correr para aqui sem fato de banho...
- Não... nada... – respondi eu, colocando a toalha em frente ao sexo e esperando, de olhos postos no chão, que ele se fosse embora.
Mas ele não se foi embora.
Em vez disso, entrou no quarto, fechou a porta delicadamente e, quando eu me dirigi a ela para fugir rumo à casa de banho com o intuito de encontrar um refúgio para o meu embaraço, ele segurou-me o braço. A mão era grande e musculada, mas o toque era como de quem segura em algo frágil que não quer quebrar. A toalha caiu no chão. Quando os seus dedos me elevaram o rosto, os nossos olhares fixaram-se. Vi-lhe então as pupilas dilatadas e soube que o seu desejo era genuíno e intenso. O calor que o seu corpo emanava era quase palpável e sentia-o como se me atravessasse a pele. Percebia o seu cheiro sem o saber definir e a rigidez inicial sentida por mim foi dando lugar a uma espécie de languidez extática que nunca sentira antes. Cada toque assinalava a materialização de diferentes partes do meu corpo. Abraçámo-nos longamente. Não sabia o que fazer, por isso limitava-me, no início, a mimetizar. As suas mãos acariciavam-me a nuca, costas, glúteos e iam penetrando mais intimamente, os dedos massajando ao de leve em redor do ânus. Sentia o seu sexo roçar entre as minhas pernas.
Depois, afastando-me suavemente, acariciou-me os mamilos, agora inchados, com os polegares e lambeu-os longamente. Fechei os olhos. A sensação era tão inebriante e intensa que gemi. Ele parou e ergueu-se, temendo ter-me magoado.
Ao abrir novamente os olhos, observei uma gota de água prestes a cair do seu lóbulo direito e apeteceu-me sorvê-la. Senti o seu sabor intenso e os meus lábios procuraram mais gotas pelo rosto, pescoço, ombros, peito, linha alba, ventre, chupando-as lentamente, saboreando cada uma, sempre na expectativa ávida e sôfrega da próxima. Acariciei-lhe os tornozelos, subindo pelas pernas e coxas. Não me atrevi na zona do sexo. Apercebendo-se da minha timidez, ele soergueu-me pelos ombros, baixou os calções e colocou o pénis rijo na minha mão. Acariciei-o sentindo as veias dilatadas sob a pele e o calor fremente. Depois, passando o braço sobre os meus ombros e puxando-me contra si, encostou a sua glande à minha e com a mão acariciou-as simultaneamente, de forma ritmada. Um fervor de excitação ia aumentando gradualmente e a sensação de prazer subsequente foi tão intensa e dilacerante que tive de me abraçar a ele para não sucumbir e cair. Ficámos uns instantes abraçados, mudos, até que ouvimos alguém lá em baixo que acabara de chegar. Ele vestiu os calções à pressa, beijou-me a testa e saiu do quarto antes que alguém entrasse. Tentei roubar-lhe um beijo nos lábios, mas este não se concretizou. O meu corpo estremecia não só pelo que se passara mas também pelo sentimento de insatisfação que se começava a insinuar. Sentia-o arrefecer paulatinamente e antes de me decidir a fazer o que quer que fosse para sair daquela experiência iniciática fiquei uns instantes a contemplar uma via láctea de sémen espraiada pelo chão.
A.F.

Chá e muita Simpatia

Eduardo não gostava de ir às longas visitas em casa da tia Briolanja. Por isso, um dia, ele pediu-me para o acompanhar.
Nunca namorámos verdadeiramente. Éramos uma espécie de objets de plaisir um do outro e tínhamos uma intimidade sensual e infantil.
A tia era uma senhora majestosa com uma meticulosidade muito própria em todos os rituais sociais, o que requeria tempo, disponibilidade e paciência. Fazer-lhe uma visita implicava longas esperas, circunlóquios e divagações, o que poderia durar horas.
Durante todo o caminho para casa da tia, Eduardo e eu íamo-nos provocando mutuamente.
Ele tentava passar-me rasteiras… ou escondia-se entre as árvores das alamedas desertas para aparecer inesperadamente um pouco mais à frente.... ou imobilizava-me de encontro às paredes de ruelas obscuras para meter a mão debaixo da saia do meu vestido de algodão, beijar-me o pescoço e acariciar-me o clitóris com um dedo hábil e insistente.
Eu fazia-lhe cócegas, abria-lhe a braguilha, passando a mão pelo membro rijo que espreitava e fugia a seguir, tentando escapar em vão às suas mãos e às retaliações lúbricas que ele me infligia e que, por vezes, me iam provocando pequenos orgasmos.
Finalmente chegámos a um palacete rosa e branco de dois pisos e tocámos ao sininho de entrada. Durante os dez minutos de espera, encostados a uma árvore frondosa do passeio, praticámos toda uma série de linguados. Ele apalpava-me os seios e eu enterrava as mãos por entre as calças rumo às nádegas que se contorciam. Felizmente ninguém passou na rua, porque seríamos certamente presos por atentado à moral pública.
Ao ouvirmos a porta abrir, parámos subitamente e com a compostura descarada habitual, Eduardo saudou Emília, a rapariga de serviço e beijou a tia no rosto. Apresentou-me como uma amiga de longa data e eu fui cumprimentada com dois beijos dados no ar.
A tia Briolanja caminhava auxiliada por uma bengala de homem com castão de prata e no todo parecia uma personagem parada no tempo, algures nos anos 30 ou 40. Usava um vestido em seda lilás com um corte impecável e os cabelos eram branco prata, ligeiramente ondulados, presos atrás com uma travessa em tartaruga. O que mais me fascinou foi o colar de pérolas que usava nesse dia, de várias voltas e rematado com um fecho onde reluzia uma água marinha. Não sei porquê mas imaginei-a jovem e nua no meio de um boudoir, usando apenas aquela jóia e posando para alguém depois de uma sessão de sexo tórrido, secreto e silencioso numa casa insuspeita, repleta de gente bem comportada e vigilante.
Na sala profusamente decorada como um postal de Natal da época vitoriana, Eduardo e eu fomos sentados num sofá de brocado de cetim cinza com apliques florais em veludo (uma combinação inusitada mas de bom gosto, pensei eu).
À frente do sofá estava a mesinha de chá com as chávenas de porcelana, um prato com pastéis de nata e um outro com um bolo pequeno e redondo coberto de creme moca polvilhado de confetis de açúcar coloridos.
Eduardo sabia que eu gostava de bolos com creme e tinha o hábito de me lamber a boca quando eu estava a comer um. Ao ver a mesa posta sorriu de relance para mim e passou a língua pelos lábios. Eu desviei o rosto, temendo rir-me com a careta dele e ter de dar explicações.
Sentámo-nos no sofá ao mesmo tempo que o relógio da lareira, com um fauno perseguindo uma Flora em bronze, assinalava as 16.30.
Depois de ter conversado alguns minutos connosco, a tia Briolanja levantou-se e disse que ia ver se o chá já estava pronto. Referiu, desculpando-se, que teria de ir verificar pessoalmente se tudo estava a correr bem porque Emília não sabia medir quantidades, nem verificar a abertura das folhas.
Assim que saiu e fechou a porta, Eduardo começou a fazer-me cócegas.
Eu não consegui controlar o riso.
Tentei fugir das suas mãos, desequilibrei-me e caí.
Levantei-me e ele ajoelhou-se aos meus pés, pegou na faca do bolo e retirou com ela um pouco de creme.
Olhou para mim com os olhos brilhantes, em suspense.
Deixei-o levantar-me a saia, baixar as cuecas, barrar-me um pouco da nádega direita com o creme e lambê-lo. As suas mãos enterravam-se nas minhas coxas, o contacto da sua língua em carícias espiraladas era agradável e eu deixei-me bajoujar por ela perante o olhar de um velho vetusto de bigode retorcido pintado a óleo e pendurado na parede.
Gostaria de ter sido penetrada naquela altura, mas tivemos de parar porque começámos a ouvir passos no corredor. O soalho de madeira com caixa de ar em baixo permitia dar conta de todas as aproximações, por mais subtis que fossem.
Ele sentou-se repentinamente para disfarçar a erecção que despontava das calças e eu fingi ver o relógio da Flora e do fauno, com os braços cruzados para disfarçar, simultaneamente, a minha perturbação e os mamilos rijos que despontavam como se fossem de pedra (nesse dia eu não trazia sutiã e o vestido era implacável na modelagem das formas).
Felizmente a tia Briolanja não reparou (ou pelo menos fingiu não ter reparado) que o bolo tinha sido profanado. Emília serviu o chá, saiu e seguiu-se a tradicional conversa entre pessoas de família sobre pais, irmãos, estudos. Depois vieram as recordações e, a propósito de qualquer episódio da infância de Eduardo, a tia lembrou-se que tinha no quarto alguns álbuns com fotografias que gostaria de lhe mostrar e insistiu em ir buscá-los.
Seguiu-se uma nova ausência.
Eduardo abriu as pernas com um sorriso obsceno e as suas calças mostravam que a erecção ainda não tinha passado. Estendi a minha mão e acariciei-lhe a protuberância.
Num ímpeto ele meteu as mãos entre as minhas pernas e finalmente, olhando-nos mutuamente olhos nos olhos, consegui libertar o orgasmo que ficara em suspenso uns momentos antes.
Ele abriu o fecho, retirou o pénis e roçou-o pela minha perna nua.
Eu peguei num pastel de nata e mergulhei-o na sua ponta, rodando-o várias vezes até espalhar bem o creme. Depois lambi-o e chupei-o lentamente. Eduardo fechou os olhos e soltava pequenos gemidos à medida que a excitação ia aumentando. Quando ele estava quase a vir-se, ouvimos novamente os passos que se aproximavam. Atabalhoadamente, ele escondeu o pénis debaixo do pullover de gola em bico aos losangos, os olhos nublados pela excitação não satisfeita.
A tia Briolanja entrou com dois álbuns enormes e pediu ajuda a Eduardo para a ajudar a pô-los na mesa.
Eduardo ficou em pânico e eu segredei-lhe:
- Levanta-te Eduardo, vai ajudar a tiazinha a pôr os álbuns na mesa…
Ele olhou para mim com um ar de mártir pronto a ser atirado aos leões (foi a única vez na vida que o vi vulnerável) e eu abafei uma gargalhada perante o cenário que se avizinhava: Eduardo, com um ar de beto que não parte um prato, a levantar-se com o pénis erecto escondido no pullover e a tia soltar um gritinho e exclamar:
- Ai Eduardinho, que tens? Estás doentinho?
No entanto, a minha alma benevolente falou mais alto e eu levantei-me a tempo de ajudar a velha senhora e, por acréscimo, salvar a honra de Eduardo. Enquanto isto se passava, Eduardo precipitou-se para a casa de banho e voltou depois mais calmo e a visita decorreu normalmente, sem mais percalços eróticos.
À saída, a tia perguntou-me se eu não apreciava pastéis de nata. Tinha-se apercebido da massa esvaziada no meu prato. Eu respondi-lhe que apreciava mais o recheio. Ela respondeu:
- Ai sim? Eu também!
E sorriu-me.
Foi assim que ficámos amigas a partir daí.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Tangas Lésbicas - Um convite à publicação

Já recebemos umas dezenas de contos para a edição 2010 dos Contos Tangas Lésbicas, mas como algumas já receberam tarde o anúncio do concurso, o prazo vai até fim de Maio, para dar tempo às interessadas.

Relembro que o livro de contos de 2009 vai ser lançado em Junho, no Porto, em Lisboa, na Galiza e no Rio de Janeiro.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Aconteceu num elevador

Quando ele entrou no elevador a sua ideia era ir beber um café ao centro comercial que existia no sopé da torre de escritórios onde trabalhava. A rapariga de cabelos curtos e olhos claros, saia muito curta, camisa semitransparente, longas pernas, lábios cheios, sandálias de salto alto e fino, entrou uns momentos antes das portas se fecharem e ele pensou “ quem será?” Trabalhará aqui, como eu? Pela falta de carteira deve trabalhar e vai... sei lá onde é que ela vai...muito eu gosto de especular.”
No 19º piso, uma família grande, gorda, numerosa e barulhenta, mas onde só havia mulheres e crianças, empurrou-os um de encontro ao outro.
Olharam-se e sorriram como que a pedir desculpa.
Mas a família numerosa e gorda mexe-se muito, fala muito. Zangam-se por causa de um menino gordo, que quer comida. A, talvez mãe, dá-lhe, ou prepara-se para lhe dar... qualquer coisa que a obriga a tentar abrir o saco que tem pendurado no ombro. A avó ralha-lhe e empurrara-a para a obrigar a fechar o saco. De gesto em gesto... empurrão em empurrão, acabam por os atirar, de novo, um contra o outro.
Agora pedem mesmo desculpa... e sorriem: Os dois corpos encostam-se. Ele sente-lhe o calor... há um seio que lhe atormenta o antebraço. A blusa dela é fina... Ele tem as mangas da camisa levemente arregaçadas. O seio é morno, tenso... Ela não tem soutien. Ele olha-a, com que a perguntar... Ela cora, diz qualquer coisa, que a família gorda, grande e ruidosa não deixa ouvir, mas o calor da pele dela afaga-o.
Mais uns gritos da família grande, gorda e barulhenta, mais uns empurrões. O calor no elevador aumenta, a família grande, gorda e barulhenta parece aumentar também. Há uma menina pequena, gorda e barulhenta, de trancinhas que chora, porque um menino gordo de sorriso alarve lhas puxa com força.
Ao fundo, ao canto, eles encostam-se mais... talvez para fugir à família grande, gorda, barulhenta e numerosa, ou talvez não. Olham-se... Ele sente a respiração dela afagar-lhe o pescoço, que a camisa aberta deixa destapado... O menino gordo puxa mais...as tranças da menina gorda que chora. Ela fita-lhe os lábios e aproxima-se mais, sente-lhe o calor... A respiração torna-se mais rápida. A menina das trancinhas grita mais... A mão dela pousa suave no peito dele, entreabre os lábios, mostra uma língua rosada que acaricia os dentes, brancos e certos... Ele tem um arrepio... sem saber como roçam-se... voluntariamente. A família grande, gorda, barulhenta e numerosa, só com mulheres e crianças agita-se, parece crescer, empurra-os... a mão dele caminha por debaixo da saia dela e encontra as cuecas molhadas. Rápido, afasta-as, e os seus dedos tocam-lhe o sexo... Ela encolhe-se mas os seus olhos velam-se entregando-se ao prazer daquele toque... e a mão procura o corpo dele... e a família grande, gorda e numerosa ameaça o menino do riso alarve, gritando aquela que parece ser a avó “larga já as tranças da Céuzinha ou levas uma carga de porrada quando chegarmos lá fora” E o menino alarve ri e puxa mais... E a menina das trancinhas grita mais. E a mão dela encontra o volume duro que parece palpitar dentro das calças dele... E os dedos dele martirizam-lhe, docemente, o sexo... E ela respira mais fundo... E ele fecha os olhos... e esquecem o elevador que acaba de parar. E esquecem a menina das tranças que chora, e o menino do riso alarve que já não ri porque a mão da mãe... ou de uma qualquer tia, prima, ou lá o que seja lhe assentou um pesado bofetão que lhe apagou o sorriso... e a porta do elevador não abre... e ela mexe-se e ele mexe-se... e o orgasmo apanha-os de surpresa... e gritam. Um grito de prazer, de libertação... um espasmo... um odor que enche o ar, da cabina do elevador... sobreaquecido.
Cai um silêncio... a família grande, gorda, barulhenta e numerosa pára! Olha...No pequeno espaço do elevador abre-se uma clareira, onde eles são centro, agarrados um ao outro, com as mãos em sítios proibidos... E sentem o olhar, primeiro interrogativo, depois acusador, condenatório finalmente, da família grande, gorda, barulhenta e numerosa quando as mulheres perceberam, ou pensaram ter percebido, o que se passara.
E foi a menina das trancinhas quem alertou para o sucedido:
-Eles fizeram “xi-xi” – e o dedinho insuportavelmente gordo a apontar para os dois, ou melhor para a mancha escura nas calças dele e para as coxas dela que, a saia curta deixava bem visíveis, onde um liquido brilhante escorria para o chão.
E a família grande, gorda, barulhenta e numerosa onde só havia mulheres e crianças, agora silenciosa, recuperou a sua índole barulhenta e num tropel desordenado saiu do elevador.
-Porcalhões – atirou a avó – há aqui crianças!
-Cabra, depravada, porca! – Gritou a mãe da menina das trancinhas
- Vaca! – Lhe chamou a que parecia ser mãe do menino de riso alarve que já se perdia na entrada do centro comercial.
Ao fundo do elevador, agora vazio, eles viram as portas fecharem-se e olharam-se sem saberem o que dizer... ou fazer... mas nas suas faces havia um misto de espanto e satisfação, que nem um nem outro conseguiriam alguma vez explicar nos anos de vida que lhes restavam e que seriam muitos.

Lisboa 13 de Abril de 2010
JAVS