sexta-feira, 7 de junho de 2013


Onde é que te meteste? A água aflora e brota contra o meu ventre? Onde? E é então que tudo acontece, a torneira roda, jorra para dentro de mim e sinto tudo quanto é meu transbordar de prazer. Mas há a solidão! O desconsolo de não te ter! Onde o toque é mais a minha procura de prazer egoísta.
B. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

La petite morte



Momentos de silêncio e tranquilidade como este...AQUI

terça-feira, 21 de agosto de 2012

As Cinquenta Sombras de Grey


AS CINQUENTA SOMBRAS DE GREY

Trabalha horas sem fim. Toma conta das crianças. Tem um salário mais alto. Gere a sua equipa. E no final do dia ainda quer ser chicoteada.


Se cada época tem o sádico que merece, então ninguem se admire que a nossa tenha Christian Grey, herói do bestseller As Cinquenta Sombras de Grey. Christian não é retrocido, assustador ou dono de um coração lúgubre. Foi abusado sexualmente em criança, um sádico que a Oprah poderia ter inventado, ou nas palavras de E. L. James, “Christian Grey tem um lado triste”. Para sádico, é extremamente solícito, alguém que se desculpa frequentemente, atento à mínima alteração nos sentimentos de Anastasia Steele, a jovem heroína do livro, a quem amacia com cremes e loções depois de a espancar. Por outras palavras, é o homem difícil mais fácil de todos os tempos.
E por que é que esta versão diluída do sadomasoquismo — quase o café com leite do sadomasoquismo — tem tanto cachet nos dias de hoje? Por que é que magotes de mulheres içaram o livro ao top de bestsellers do New York Times ainda antes de chegar às livrarias? O mais provável é que seja um casamento feliz entre a transgressão moderada e arquétipos confortáveis, entre virgens coradas e chicotadas.
Para alguns, imagino que se calhar até para uma maioria, terá o seu quê deglamour semipornográfico... entre o frisson do perigo e a segurança de um romance à antiga. Ler As Cinquenta Sombras de Grey não é mais arriscado, rebelde ou perturbador do que, digamos, comprar umas botas pretas ou um vestido com corte assimétrico no Barneys [um armazém nova-iorquino que vende artigos de luxo]. O estereótipo da leitora de As Cinquenta Sombras de Grey, destilado no condescendente termo “mommy porn”, aponta para uma mulher mais velha e suburbana. O que não correspondente totalmente à realidade: de acordo com informações da editora, que por sua vez se baseou em dados recolhidos junto de redes sociais como o Facebook, sites de fãs e o próprio Google, mais de metade das mulheres que lêem o livro estão na faixa dos 20, 30 anos e são muito mais urbanas do que a caricatura que delas se faz.
A definição actual para “dominação” não acaba numa consulta superficial no iPad. O desejo feminino da submissão sexual já foi tema na nova e muito falada série de Lena Dunham, Girls, sobre raparigas de 20 anos à toa e à solta em Nova Iorque. Em Girls, a pálida cópia de hipster que é o namorado da heroína brinca: “Do que tu gostas sei eu, minha mulher moderna”, e a sua ideia, ainda que expressa de uma forma estranha, é que elas gostam de ser dominadas. Ele diz coisas como “não serás escrava de ninguém...a não ser minha” e, se preciso for, atira-lhe da janela: “Se subires, vou manter-te aqui amarrada por três dias. Estou mesmo virado para aí.” Ela regressa do encontro com contusões e, envergonhada, vê-se obrigada a dar explicações ao colega gay da universidade com quem marcou encontro num bar: “Agora ando com este tipo e, às vezes, até deixo que ele me bata.”
Entretanto, a sua amiga mais íntima e com quem partilha casa tem um namorado doce, sensível, respeitador. Daqueles que, na cama, quer saber o que lhe dá prazer, coisa que a maça de morte e a deixa profundamente irritada. Ela, que trabalha numa galeria de arte, sonha em ver um daqueles artistas arrogantes a entrar-lhe porta dentro e a fazer-lhe promessas de como a deixará apavorada se a levar para a cama.
Portanto, estas raparigas ambiciosas, educadas nos ideais da esquerda artística, também não procuram os rapazes simpáticos da era pós-feminista; na sua ironia fina, ainda que algo confusa, elas estão no “mercado” à espera de alguma submissão... desde que criativa.
Outros sinais que mostram quão actual é este interesse no tema da dominação sexual inclui o recente filme A Dangerous Method, que cautelosamente introduz o espancamento numa parte que explora a história da psicanálise. Em entrevistas, a actriz Keira Knightley, protagonista do filme, confessou que teve de beber shotsde vodka para conseguir filmar as cenas em que a sua personagem é espancada enquanto está amarrada à cabeceira da cama.
Não deixa de ser intrigante que as mulheres andem a consumir esta miríade de fantasias sobre submissão num momento em que cada vez se destacam mais nos seus locais de trabalho, quando são a maioria (60% nos EUA) no ensino universitário, quando conquistaram o sustento do lar — quatro em dez têm mesmo ordenados superiores aos dos seus maridos —, quando vivem sozinhas e com filhos a seu cargo numa faixa abaixo dos 30.
E não será provavelmente coincidência que à medida que aparecem livros comoThe Richer Sex, de Liza Mundy, e o aguardado The End of Men, de Hanna Rosin, estejamos a assistir a um renovado interesse popular na teatralização estilizada da impotência feminina. Isto sem mencionar as pazadas de artigos sobre mulheres que optam por não se casar ou em serem mães independentes. Neste momento da nossa história em que o domínio masculino se mostra periclitante, a ideia da submissão feminina torna-se particularmente atraente, romântica até e com uma certa carga erótica e semipornográfica.
No reino das fantasias íntimas, a tentação da submissão sexual, ainda que levada a extremos, é muito falada. Os resultados de 20 estudos publicados na revista Psychology Today mostram que entre 31% a 57% das mulheres fantasiam com serem forçadas a ter sexo. “Mulheres a sonharem com cenas de violação é um terreno onde se cruza desconfortavelmente o eros com a política”, diz Daniel Bergner, que está a trabalhar num livro sobre desejo feminino que vai ser publicado no próximo ano. “É um terreno onde a realidade não coincide com aquilo que dizemos.”
Os investigadores e psicólogos com quem falou para escrever o artigo O que querem as mulheres , que o New York Times publicou em 2009, pareceram-lhe relutantes em usar a expressão “fantasia de violação”. E, em ensaios académicos, a ideia deixa até nervosas e a desculparem-se as mulheres que a relatam.
Por definição, “fantasias” são algo que não se controla. Mas parecem estar a dizer-nos alguma coisa sobre as mulheres que todas preferiam esconder. Uma das fontes de Bergner preferiu chamar-lhes “fantasias da submissão”; outro disse “é o querer estar para além da vontade, para além do raciocínio”. 
Mas por que é que, sobretudo para as mulheres, a liberdade poderia ser um fardo? Por que é que se torna tão atraente pensar no que está a acontecer com uma atitude passiva? Por que é que se torna tão interessante a ideia de rendição, ou a brincadeira da rendição? Talvez o poder não seja assim tão acolhedor e confortável, até para quem cresceu com ele. Pode ser que a paridade seja algo que apenas desejamos algumas vezes, nalguns lugares e nalgumas arenas. Pode ser que, feitas as contas, o poder seja maçador.
Em Girls, a personagem de Lena Dunham encontra-se momentaneamente deitada no gabinete do ginecologista a fantasiar com a perversidade de ter sida porque isso a libertaria da responsabilização, da ambição, da obrigação de ter de dar um rumo à sua vida. É uma cena muito forte e estranhamente real. E que levanta a seguinte questão: poderá ser assim tão penoso tudo o que é hoje pedido à mulher, desde a sua participação na vida económica ao que lhe é exigido em termos de independência e de afirmação no mundo?
Pode ser que, para alguma mulheres, toda a teatralização da fantasia da submissão seja um escape à aridez do trabalho pesado que é a paridade. O que não quer dizer que histórias retorcidas de submissão sexual sejam novas. Como diria alguém que conheço, o sadomasoquismo está entre nós desde há muito, mesmo se nem sempre visível. De quando em quando, vislumbres saltam para omainstream e, claro, fascinam-nos. Mas os clássicos do S&M não são compatíveis com uma vida normal; não afectam coisas tão banais como o amor.
Em A História de O, o famoso romance francês escrito por Pauline Réage em 1954, a heroína, depois de encarcerada num castelo onde homens com máscaras a chicoteavam e abusavam sexualmente dela, foi cuidadosamente treinada para ser escrava. O masoquismo de O começa por ser uma demonstração do seu amor pelo amante mas, rapidamente, se transforma noutra coisa: O esquece-se de si própria, perde a sua personalidade ao entregar-se à disciplina da dor. O elegante, mas brutal, romance termina com a cena em que O, nua e com apenas uma máscara de coruja, é levada acorrentada para uma festa onde a nenhum dos presentes ocorre que é de um ser humano que se trata. Quando Susan Sontag escreveu sobre O, falava da “volúpia e desejo ardente de alguém que caminha para a extinção da sua própria consciência”. O que está bastante distante dosemails que Christian envia a Anastasia dizendo “mais tarde, querida” .
De quando em quando, aparece um livro que nos fascina de tal maneira que é capaz de nos pôr a falar de dominação e poder, com as suas cenas erotizadas de violações e submissão sexual: livros como As Idades de Lulu ou A Vida Sexual de Catherine M. E o que se torna interessante nesta nossa época saturada de pornografia é que estas histórias ainda consigam ser titilantes, controversas e até dignas de notícia. Como se ainda nos quiséssemos interrogar, debater ou num modo voyeurístico confrontar-nos com cenas de submissão sexual extrema. Apesar de estarmos familiarizados com o sadomasoquismo, continua a assaltar-nos como uma coisa nova, chocante, que derruba certos valores, porque tem algo que ainda parece errado e vergonhoso para um segmento surpreendentemente largo do nosso mundo tolerante pós-revolução sexual.
Um dos factos mais relevantes na Anastasia Steele de As Cinquenta Sombras de Grey é que ela não está numa de sadomasoquismo. Ela está simplesmente apaixonada por Christian Grey (“muito lá no fundo, tudo o que eu queria era mais, mais afecto, um Christian mais brincalhão, mais… amor”), e por isso deixa-se ir, como uma universitária, em jogos de cabedais e chicotes.
Isto é importante tratando-se de uma heroína mainstream para leitoresmainstream: ela condescende nas fantasias com chicote e humilhação sem de facto se sentir responsável por desejos mais estranhos. Desta maneira, Anastasia retira prazer dos castigos e suaves humilhações sem ter de admitir que os procurou ou os escolheu. É por amor, talvez até na tentativa de salvar o seu homem, que ela suporta com determinação a dor, e não por que queira ser, de facto, chicoteada. Este pequeno truque mental é, claro, um dos aspectos centrais da submissão sexual: podemos experimentá-lo sem assumirmos responsabilidades, sem afirmarmos que o desejamos. O que, naturalmente, apela ao nosso passado puritano e ao nosso presente pós-irónico.
Quando Maggie Gyllenhaal protagonizou Secretary, uma comédia de 2002 que retrata um chefe que disciplina a sua assistente, preocupou-se com a reacção feminista à representação extravagante da dominação sexual. Mas, disse, “acho que as mulheres, sobretudo as da minha geração, o procuram de uma forma que extravasa discursos políticos”.
“As mulheres têm hoje mais poder e liberdade do que alguma vez tiveram. Mas isso não significa que tenham o suficiente de ambos, e que não experimentem complicados sentimentos de culpa, vergonha e se sintam indignas”, explica a feminista Katha Pollitt acerca da permanência das fantasias sexuais de submissão. Ao longo dos tempos, investigadores e psicólogos elaboraram teorias de que as mulheres fantasiam sobre submissão sexual porque se sentem culpadas ou pouco à vontade a assumir os seus próprios desejos; por outras palavras, é-lhes mais confortável saberem-se desejadas do que manifestarem desejo.
Estudos mais recentes revelam, contudo, que as mulheres que fantasiam sobre situações em que são forçadas a ter sexo são, afinal, menos permeáveis a sentimentos de culpa do que aquelas que o não fazem. De qualquer forma, essas teorias parecem simplistas e até demasiado próximas de um pensamento de século XIX para representarem a mulher moderna; não é tanto a culpa pelo sexo mas antes a sensação de ser dominada que se torna essencialmente mais libertadora. O excitante aqui é a irracionalidade, desligado de quem somos na vida real; imunes à crítica ou ao bom senso, à boa educação e a um bom emprego.
As feministas ficam perplexas com o nosso contínuo investimento nestas fantasias na esfera do romance, neste desejo residual de se ser controlada ou dominada. Têm vindo publicamente denunciar a quantidade de mulheres poderosas, bem sucedidas e independentes que se deixam enredar em fantasias (e realidade, claro, mas isso é outra história) de submissão. Estas mulheres “foram educadas a acreditar que sexo e dominação são sinónimos”, escreve Gloria Steinem, e que, de uma vez por todas, temos de “separar o que é sexo do que é agressão”. Mas talvez sexo e agressão não possam ou, melhor, não devam ser separados.
Várias têm sido as vozes feministas a aparecer em talk-shows televisivos denegrindo a retrógrada exploração soft-core das mulheres em As Cinquenta Sombras de Grey. Também não têm sido poucas as opinadoras de esquerda que perguntam: “Foi para isto que lutámos?” Mas é claro que estas lutas sempre foram irrelevantes para a vida íntima. Quando perguntaram à brilhante pensadora feminista Simone de Beauvoir se a sua subjugação a Jean-Paul Sartre na sua vida pessoal contrariava as teorias feministas que professava, respondeu: “Bem, estou-me nas tintas. Lamento desapontar todas as feministas, mas posso dizer que é pena que muitas delas vivam só da teoria em vez da vida real.”
Também Daphne Merkin, jornalista da New Yorker, na sua controversa e reveladora meditação sobre a sua própria obsessão com o espancamento, especulou sobre a tensão entre a sua identidade como “mulher poderosa” e os seus desejos por punições sexuais infantilizadas. “Igualdade entre homens e mulheres, ou tão-somente o seu pretexto, dá imenso trabalho e pode nem ser o caminho mais seguro para a excitação sexual.”
Será talvez inconveniente para o feminismo que a imaginação erótica não se submeta à política, nem mesmo às mudanças demográficas; não se importa comThe End of Men ou percorre os blogues feministas no seu tempo livre; há muito que esqueceu o trabalho árduo das sufragistas e outras reivindicações históricas. A poderosa fantasia de ser dominada por um homem não dá sinais de desaparecer na equação “salário igual para trabalho igual”, pode mesmo ganhar intensidade e tomar inovadoras formas (ou não tão inovadoras quanto isso no caso de As Cinquenta Sombras de Grey).
De facto, se eu fosse membro da direita religiosa, sentada no meu alpendre e queixando-me da moral decadente da mulher profissional americana, o que seria mais preocupante, o que daria o toque de desespero e o ambiente de fim-do-mundo, é o facto de milhões de mulheres inteligentes se disporem a tolerar o tipo de prosa de As Cinquentas Chamas de Grey. Se está disposta a suportar frases como “rio-me, apesar da minha profunda tristeza” ou “o mundo desaba à minha volta numa pilha estéril de cinzas, todos os meus sonhos e esperanças cruelmente descartados”, então está mesmo, mesmo a precisar de entrar na cena da submissão sexual.
*Exclusivo PÚBLICO/Newsweek.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Novas datas em Julho - Na Escrever escrever



Terças e Quintas
Dias 3, 5, 10 e 12 de julho
19h30 - 22h | 95€
De 03-07-2012 a 12-07-2012

Sábado
Dia 28 de julho
11h - 18h | 65€
De 28-07-2012 a 28-07-2012

Avisam-se os interessados que a sala é quente. E vai ficar ainda mais. 

Poesia & Lingerie


POESIA &
LINGERIE
JUNHO 2921H00, PENSÃO AMOR
Na Pensão Amor encontra-se a Ler Devagar Com Amor, livraria exclusivamente dedicada à literatura erótica. Este é o cenário perfeito para uma conversa sobre a relação entre literatura e erotismo, com a participação das escritoras Cláudia Clemente, Helena Vasconcelos e Mónica Marques. Para ajudar, um moderador pouco imparcial: o escritor Rui Zink.
Entrada Livre

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dia dos Namorados - O Circuito do Amor

Esconderijos para se viver o amor intensamente


Haverá zona da cidade de Lisboa que guarde nas suas memórias tantas histórias de amor, e pecado, encontros e desencontros? Aceite a nossa sugestão e passe o Dia dos Namorados, na Pensão Amor, no Cais do Sodré. Apresentamos ainda um circuito alternativo, para desfrutar nas primeiras horas do dia, ao acordar...
Sandra Pinto (texto) e José Caria (fotos)



Esconderijos para se viver o amor intensamente.
Há muitos anos, o bairro do Cais do Sodré servia de "porto de abrigo" a muitos marinheiros que aqui chegavam de todo o mundo, em grandes navios, à procura de mantimentos e diversão.



Mas nem sempre terá sido essa a principal fonte de rendimento desta zona.



Por este edifício pombalino, construído na época pós-terramoto, inicialmente para habitação, passaram vários tipos de "inquilinos". É, porém, com a chegada dos milhares de homens fardados que se gera uma nova dinâmica e consequente má conotação. Para satisfazer as necessidades dos embarcadiços, abriram-se lojas, restaurantes e também os bares, a maioria com os nomes dos portos dos locais de origem de onde chegavam os barcos: Jamaica, Tóquio e Roterdão. Com esta gente, "sedenta" de diversão, chega também a prostituição e com ela a necessidade de arranjar alojamentos.



Por isso, uma série de edifícios foram transformados em "pensões de alta rotação", de aluguer à hora, que serviam para este tipo de práticas. Até que um dia os navios deixarem de vir e os marinheiros procuraram outros destinos, deixando o Cais do Sodré "perdido" e abandonado...



A esta "má sorte" seguiram-se outros capítulos, todos povoados por novas "personagens". A Pensão Amor é um bom exemplo da história atual do Cais do Sodré.





Entrada da Pensão Amor pela Rua Nova do Carvalho


Entrada da Pensão Amor pela Rua Nova do Carvalho
Entrada da Pensão Amor pela Rua Nova do Carvalho


"Não alugamos quartos para dormir"
Se os apaixonados estão à espera de passar aqui toda a noite, desenganem-se. Podem sim, passar uma boa parte dela, aproveitando para se divertirem e descobrirem os diversos espaços que compõem a Pensão Amor. Mas quando chegar a hora de dormir, aceite a sugestão de José Carlos Queirós Carvalho, 46 anos, administrador da empresa Mainside Investiments (VER CAIXA) e reserve quarto no hotel vizinho. Agora que está esclarecido, vamos contar-lhe o que aqui se passa.



"Pegar num edifício que tem uma história, uma vida e um passado e dar-lhe um uso diferente" foi um dos principais objetivos da empresa Mainside Investiments, responsável pelo projeto



da Pensão Amor. Por isso, diz-nos José Carlos, "quando comprámos o edifício há um ano e tal, foi necessário beber o que ele tinha, respeitando toda a sua história, mas adaptando-o a um uso diferente", acrescenta. Manteve-se a mesma atividade de pensão, alugando os quartos, desta vez não a marinheiros e prostitutas, mas a outro tipo de clientes. Este engenheiro clarifica: "A ideia foi selecionar pessoas engraçadas e pô-los numa espécie de caldeirão todas a fervilhar umas com as outras". Qualquer pessoa pode alugar estes quartos? A resposta parece óbvia: "Não alugamos quartos para dormir, nem para empresas, mas sim para projetos ou para pessoas extraordinárias, que os transformam em gabinetes de trabalho." Como em qualquer outro hotel, pousada ou hostel, foi necessário criar áreas comuns, de conforto e de partilha, que esta terça-feira, dia 14, "recebem" uma programação especial para os casais apaixonados. Assim, pelas janelas da pensão vão chover corações que convidam, a quem os receber, a fazer uma declaração de amor (a partir das 23 horas). Na sobreloja Clandestino será apresentado o espetáculo Mironescópio: a Máquina do Amor, pelo Teatro das Marionetas (às 19 e às 21 horas). Se escolher entrar pela Rua do Alecrim, número 19, fica logo a conhecer o bar que surpreende com uma decoração burlesca, animado nesta noite por um dueto musical (das 13 às 3 horas da madrugada).


O Circuito do Amor



















Para os mais destemidos, aconselhamos uma paragem na sala do varão e a participação nas demonstrações de dança sensual (entre as 18 e as 22 horas). Uns passos à frente encontra-se a loja erótica Purple Rose, que vai marcar presença no lançamento do segundo número da rapsódia erótica A contorcionista, Calendário, com a oferta de preservativos.


Estas são algumas das atividades "amorosas" marcadas para este dia...



As outras ficam ao seu "critério".



Perder-se por Lisboa
José Carlos Queirós Carvalho, 46 anos, administrador da empresa Mainside Investiments, um dos responsáveis pela implementação do Projeto Pensão Amor, sugere um roteiro para o Dia dos Namorados



1. Iniciar o dia ao ar livre, num dos mais belos jardins de Lisboa, a Tapada das Necessidades, um espaço por explorar, com as suas vistas para o rio Tejo.


O Circuito do Amor














2. Descer até Alcântara, para um passeio e visita ao espaço da Lx Factory, almoçando num dos seus restaurantes e aproveitando para beber um café na Livraria Ler Devagar, eleita recentemente como uma das 20 mais belas livrarias do Mundo (pelo site Flavorwire).


O Circuito do Amor













3. Em seguida, uma visita ao bairro do Cais do Sodré que pode começar por um lanche ajantarado saudável no Sol e Pesca (uma antiga loja de conservas transformada em bar), onde pode provar as melhores conservas portuguesas.

O Circuito do Amor














4. Depois uma subida e visita à Pensão Amor que vai ter um conjunto de atividades pensadas especialmente para o Dia dos Namorados


O Circuito do Amor













5. Por fim, marque reserva no vizinho hotel Lx Boutique Hotel (antigo Hotel de Bragança, localizado na R. do Alecrim, 12 T. 21 347 4394), com cada um dos seus pisos, dedicado a tema diferente: Tejo, Fernando Pessoa, Fado, Sete Colinas e Bairro Alto. Foi também aqui que Ricardo Reis, terá ficado alojado conforme aparece referenciado na obra de José Saramago O ano da morte de Ricardo Reis.

O Circuito do Amor














OUTROS ESPAÇOS PARA AMAR
Piso 1: Ler devagar com Amor, com obras para comprar e alugar de literatura erótica também se encontra em funcionamento.



Quarto 204: Mãos à Dobra, ajuda-o a fazer uma flor em origami para oferecer à sua cara--metade. Das 18 às 23 horas



Corredor do Piso 3: Amélie au Theatre em parceria com LeMiroIr, apresenta dicas de aconselhamento e imagem e open showroom de peças de roupa e acessórios (das 18 às 23 horas).



Quarto 302: Dress-a-Day: open showroom, com desconto de 30% de desconto em artigos selecionados. Oferta de rebuçados em forma de coração da marca Papabubble. Das 18 às 23 horas.



Quarto 303: Queer Lisboa: Lançamento da revista Little Joe (número 3) e venda do Vaso Coração de O Meu Amor é Verde (pelas 19 horas).



Quarto 305: Smart Lunch: Campanha Be a Smart Lover (Smart Box). Das 18 às 23 horas



Quarto 306: Transversal Editores: Concurso de frases ou textos sobre a temática Medo & Amor. Das 18 às 23 horas.



Quarto 309: Lifestories: Revelação de três histórias de amor de pessoas do bairro do Cais do Sodré (exposição). Das 18 às 23 horas



Quarto 312: Homem-Bala: Lançamento de teaser de divulgação dos hóspedes da Pensão Amor (Projeção vídeo)



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

No Escurinho do Cinema: porno e masturbação

Boas surpresas no Centro de Cultura e Intervenção Feminista
A não perder uma palavra, uma imagem, nem os calafrios que se vão sentir.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Para quê disfarçar


Todas as noites antes de entrar em palco tomava os comprimidos. Sentava-se no banquinho pequeno, abria as caixas, primeiro a cor de rosa, depois a amarela, e depois mais três sem cores definidas, e um a um colocava-os na língua. Antes de beber a água que tinha no copo olhava-se no espelho e sorria. Mais uma noite.

Quando colocava a coroa sobre os cabelos já sentia o efeito relaxante do que tinha tomado. A tensão nos braçosdiminuia, depois os ombros e em seguida todo o corpo ficava preparado.

Apenas os olhos não sabiam disfarçar. E ela sabia que os olhos a podiam trair. Porque os olhos viam e as imagens que lhe chegavam ao cérebro eram ampliadas e distorcidas. Os rostos dos homens babando-se eram-lhe repugnantes, principalmente os de bigode. Eos olhos viam. Era por isso que em certos momentos agitava tanto a cabeça que os cabelos lhe cobriama cara e lhe impediam a visão. Nessa altura voltava a sorrir. Pensariam talvez que aquilo era um gesto erótico. Era apenas a maneira de se proteger da agrssão das imagens que lhe chegavam ao cérebro.

Por que os seus olhos viam e não sabiam disfarçar.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Uma imagem de mulher

São dunas de areia fina. Redondas, suaves.

Duas montanhas parecem unir-se, mas são separadas por um vale profundo onde raramente o sol penetra.

Subindo pode ver-se uma curva brilhante onde a areia toma mesmo a cor do ouro. Em cima, uma das montanhas visíveis adquire a forma prfeita. No seu cume ergue-se provocante e desafiando a curiosidade quanto à textura, um pico erecto que estimula o desejo irreflectido de não desviar o olhar.

Por trás das dunas visíveis adivinham-se outros segredos, outros contornos dourados ainda inexplorados.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Novo Curso de Escrita Erótica

Na Escrever escrever não se tira férias - escrevem-se postais de prazer e luxúria...entre sestas.

De 05-08-2011 a 26-08-2011

Horário:

Sextas

Dias 5, 12, 19, 26 de Agosto

Das 10h30 às 13h

Mais informações AQUI

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Ponto Q

Recomenda-se a crónica televisiva Ponto Q, no canal do MEP Q (posição 15).

Ver aqui Susana Romana e seguir as novas tendências da pornografia: dá prazer e ainda nos rimos!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Novos Cursos de Escrita Erótica quase a chegar!

Quase a chegar, com a Primavera, o calor e o sol, novos cursos de escrita erótica.

Informe-se Aqui

terça-feira, 5 de abril de 2011

Projecto Teia - Ciclo sobre Amor e Sexualidade


CICLO SOBRE AMOR E SEXUALIDADE
SALÃO NOBRE

Numa selecção que tem como tema o Amor e a Sexualidade que lhe está inerente, escritores portugueses, escolhem entre poemas, contos e prosa de toda a Literatura, as palavras que nos falam do desejo, de sensibilidades e de histórias que expressam diferentes maneiras de viver a manifestação dos afectos no nosso corpo e na relação com o outro e com o corpo do outro. Actores profissionais darão expressão às palavras.

público em geral | entrada livre | duração 1h30 aproximadamente

Incesto

12 Abr | 19h

selecção de textos Luís Carlos Patraquim
coordenação da leitura Catarina Lacerda
intérpretes a convite do Teatro do Frio


Ver Aqui

sábado, 2 de abril de 2011

Escrever à Conversa

Escrever à Conversa

Encontros informais e de entrada livre que acontecem ocasionalmente, aos sábados, tendo em vista a discusão de temas ligados ao universo da escrita.

Um espaço para ouvir, falar, debater, ver vídeos e tirar dúvidas, marcado pela proximidade e boa disposição.

Não sendo necessário confirmar ou reservar presença, é importante que os participantes cheguem à Escola pontualmente para garantir o seu lugar.

Escrever à Conversa:

Data: 2 de Abril

Tema: O Sexo e a Língua Portuguesa: como vai a relação?

Orientador: Joana Almeida (formadora de Escrita Erótica na Escrever Escrever)

Convidadas: Raquel Freire (realizadora) e Susana Romana (autora e formadora na Escrever Escrever)


domingo, 6 de março de 2011

Francisco, 34 anos, Transexual não operado

Amada Lepor fotografada por David La Chapelle

A seguir a um dia cansativo no banco, Francisco passou pela casa de Miguel – o seu consorte – para o ir buscar. Iam ambos para o seu apartamento modesto, mas a viagem nunca se concluiu.
Miguel despediu-se da sua mulher, afirmando dirigir-se ao bar com o seu melhor amigo. Esta era uma verdade que a pobre mulher nunca chegaria a imaginar.
A viagem começou mal: Miguel trazia consigo o persa vermelho de um outro amigo, para o irem entregar depois do seu “momento” a dois.
“O que é isso, homem?! Tira-me isso do carro, que o meu nariz cresce que nem uma batata!”
“Cala-te e conduz”, dizia o amante, sabendo que Francisco odiava conduzir.
Depois de uma discussão acesa, Miguel ligou o rádio e ambos prosseguiram a sua viagem. Ocorrera, no entanto, uma fatalidade que Miguel descuidara ao deixar Francisco conduzir: este excitava-se ao som do “Rapper” Eminem!
Incapaz de conduzir devido ao tremendo calor que escorria pela sua – ainda existente – vagina, Francisco viu-se forçado a encostar o Fiat Punto na berma.
“Miguel, faz-me um minete...!” – exclamou com excitação na voz, como se implorasse...
“Aqui, Francisco?! Com o gato a ver?!”
“Sim, Miguel... vá lá...”
E lá começaram, antes do previsto: Francisco prontamente arrancou as suas calças do corpo e Miguel “enfiou-lhe” os dedos que tinha disponíveis, de seguida a língua e tudo o que podia “enfiar”, num frenesim badalhoco que, no fim, dava prazer a ambos. Rapidamente os dois homens moveram-se para o banco de trás.
Miguel abusava da vagina de Francisco e este, aproveitando um brinquedo que guardava religiosamente no porta-luvas, penetrava Miguel. Ambos gemiam num mar de suor masculino, com as pilas - a verdadeira e a falsa - já molhadas e coladas ao corpo - ambos rumo ao auge.
“Asfixia-me”, Implorou Francisco
“Com o quê?!”, perguntou Miguel, que não podia usar as mãos – deixaria marcas. Ambos olharam com um sorriso semi-maquiavélico, semi-perverso para o gato do amigo que apenas se limitou a miar.
Miguel segurou o bichano e “enfiou-o” na cara de Francisco, enquanto penetrava a sua vagina.
Finalmente, ambos os homens chegaram ao orgasmo: Miguel veio-se triunfantemente e Francisco encontrava-se desorientado no meio de um extâse incrível – Missão cumprida: só faltava o tareco que, agora excitado, rapidamente fez o serviço na perna do transsexual. Francisco não precisaria de comprimidos para dormir à noite...

sexta-feira, 4 de março de 2011

O colar de pérolas

Aquele dia era igual aos outros. Todos os dias a via passar, ora para um lado, ora para o outro, com o seu ar profissional e inabalável onde nada falhava.

Aquele dia não foi excepção. Lá passou ela, com o seu vestido justo, sóbrio e sério mas que deixava ou ver ou imaginar todos os contornos do seu corpo. E que contornos de perder a concentração! O decote no ponto certo, as meias de vidro e o colar de pérolas vermelho que, por distracção, ou quem sabe, de propósito, lhe entrava naquele declive por dentro do vestido. Mas porque faria ela aquilo?! Ficava louco! Só lhe apetecia levantar-se, correr atrás dela e tirar-lhe, não o colar de dentro do vestido mas o vestido de fora do colar.

Transpirava cada vez que ela passava. E só voltando a esconder os olhos por dentro dos óculos e focando perto em vez de focar a meia distância começava a sentir o seu corpo arrefecer e desdivagar no corpo daquela mulher escultural.

A safada sabia. Espreitava-lhe o olhar desorientado cada vez que passava. Media milimetricamente o desencontro dos seus olhares. Olhava-o apenas quando ele desistia e voltava a pousar o seu olhar naquele ecrã monocórdico e monocromático. E ele não sabia. Não sabia que, na realidade ela passava ali sempre de propósito. Sabia-lhe bem sentir aquele olhar roçar-se nela. Gostava de pensar que um dia se encontrariam fora dali e que, um dia, quem sabe, se despiriam sem só com o olhar…

quinta-feira, 3 de março de 2011

Cinema Paraíso

Um beijo. Dois beijos.

Um beijo são mil coisas.

Dois beijos

São duas mil coisas

Ou então não são nada

Ou são apenas

Um beijo e outro beijo.

Um abraço.

Um abraço

Pode ser um xi-coração

Pode ser muito

Pouco ou nada

Quase sempre um gosto de ti.

Um abraço e um beijo

Podem ser cem mil coisas

Ou então sem mil coisas.

Pode ser ou não ser

Ser tudo ou não ser nada.

Dormir.

Pode ser um sono

Pode ser um sonho

Ou uma insónia

Ou um pesadelo.

Beijaste-me.

Abraçaste-me.

Dormiste comigo.

Dormiste em mim.

E o que é?

O que foi afinal?

Não faço ideia!

Mas foi assim!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Asdrubal

O circo de Asdrúbal chegara nessa noite àquela pequena vila piscatória. O espectáculo era só amanhã mas começava já hoje. Enquanto se montavam tendas e barracas, Asdrúbal já pensava noutras montarias.

Guiado pelos cheiros e pelos ruídos surdos ou talvez simplesmente pelo seu talento em descobrir rabo de saia, lá foi parar ao que seria o bar mais in lá da zona.

Entrou com ar de rei na barriga, que é como diz com ar de “Querida, cheguei!!!”, dirigiu-se ao balcão e rodou os olhos pela sala. Pediu um whisky velho e, com ele na mão direita e mão esquerda no bolso, foi ter com a louraça lá do canto que fumava um cigarro no canto da boca.

Fez ar de pintas, franziu um sobrolho e espremeu uma espécie de sorriso por meia boca fora.

Ela leu-lhe a figura, o desejo e o tamanho do amontoado ali na zona da braguilha. “30 minutos, 50 euros”, disse-lhe. “É o preço de época baixa, estamos em saldos”.

Como quem cala consente e apenas silêncio se ouviu da boca de Asdrúbal, a louraça levantou‑se, entrou no corredor e ele seguiu-lhe a silhueta.

A porta trancou-se e destrancou-se a fera. O leão eriçou-se e soltou o cabelo, empurrou a louraça para cima da cama e atirou-se-lhe como se sobre a sua presa se lançasse. Já desceu as calças e de um só lanço lhe desprende os botões da blusa, lhe sobe a saia e lhe arranca as cuecas.

Afoga-lhe a cabeça no peito e sem dó nem piedade nem pingo de respeito ou meiguice enfia‑se-lhe desenfreada e desesperadamente. E numa cadência rápida e atabalhoada, uma busca atrapalhada de algo que desconhece mas não está ali.

Já está, já explodiu. Mas Asbrúbal só sente o vazio…

É que Asdrúbal é trapezista… mas ele queria mesmo era ser domador de leões…